Você está aqui
  1. Mundo Educação
  2. Literatura
  3. Escritores brasileiros
  4. Carlos Drummond de Andrade – O maior poeta do século XX

Carlos Drummond de Andrade – O maior poeta do século XX

Para darmos início ao estudo sobre esse grandioso mestre torna-se interessante observarmos a criação poética a seguir:

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

Diante do poema, podemos identificar uma característica que permeou o gosto estético dos escritores da segunda geração modernista: a reflexão transcendentalista a respeito do ser humano frente ao mundo que o cerca.

Diversificando-se da temática baseada na ironia, nos poemas-piada, com o objetivo de crítica aos “moldes” passados, esta por sua vez revela a angústia, o sentimento de indagação vivido pela sociedade em meio a um mundo de sucessivas guerras e conflitos.

Quanto ao aspecto estrutural, notamos o total desapego no que se refere à predominância de rimas. Tal medida não significa ausência de um lirismo, muito pelo contrário, o poeta soube genialmente arquitetar as palavras e construir uma poesia reflexiva apoiada em temas do cotidiano como forma de um verdadeiro desabafo às intempéries proporcionadas pela vida em sociedade.

Nitidamente o fato se explica por meio do seguinte fragmento: ”Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Quando analisamos o poder, a força eloquente que possui a palavra, entendemos a geniosidade de nossos grandes mestres que marcaram a literatura de todos os tempos.

Por meio do verbo industrializou e do substantivo exaustão, Carlos Drummond faz um jogo aliando o real com o transcendental, ou seja, a Revolução Industrial trouxe uma alavancada no campo econômico mundial, mas em contrapartida, a “esperança” tornou-se cada vez mais longínqua, em razão da disputa pelo poder.

Tal exaustão, denotativamente falando, refere-se ao grande crescimento das indústrias e da tecnologia, como, por exemplo, a substituição da máquina a vapor. Entretanto, para o “eu” lírico, significava o verdadeiro espírito exaustivo, desesperançoso no qual a sociedade se encontrava naquela época.

Conhecendo um pouco mais sobre o referido escritor, o mesmo nasceu em Itabira do Mato Dentro, estado de Minas Gerais. Cursou o primário, ginásio e colegial na cidade natal.

Em 1924, o poeta escreveu uma carta a Manuel Bandeira confessando sua admiração pelo mesmo, e, neste mesmo ano, com um grupo de intelectuais mineiros, recebeu os modernistas de São Paulo e Rio de janeiro: Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e o francês Blaise Cendras.

Foram 56 anos de atividade poética, dentre as quais podemos destacar: na poesia: Lição de coisas, Brejo das Almas, A falta que Ama, entre outras; prosa: Contos de Aprendiz, Cadeira de Balanço, Os Dias Lindos, etc., além de obras infantis.

Artigo relacionado
Teste agora seus conhecimentos com os exercícios deste texto
Assista às nossas videoaulas
loading...

Assuntos Relacionados