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Carlos Drummond de Andrade – O maior poeta do século XX

Para darmos início ao estudo sobre esse grandioso mestre torna-se interessante observarmos a criação poética a seguir:

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

Diante do poema, podemos identificar uma característica que permeou o gosto estético dos escritores da segunda geração modernista: a reflexão transcendentalista a respeito do ser humano frente ao mundo que o cerca.

Diversificando-se da temática baseada na ironia, nos poemas-piada, com o objetivo de crítica aos “moldes” passados, esta por sua vez revela a angústia, o sentimento de indagação vivido pela sociedade em meio a um mundo de sucessivas guerras e conflitos.

Quanto ao aspecto estrutural, notamos o total desapego no que se refere à predominância de rimas. Tal medida não significa ausência de um lirismo, muito pelo contrário, o poeta soube genialmente arquitetar as palavras e construir uma poesia reflexiva apoiada em temas do cotidiano como forma de um verdadeiro desabafo às intempéries proporcionadas pela vida em sociedade.

Nitidamente o fato se explica por meio do seguinte fragmento: ”Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”.

Quando analisamos o poder, a força eloquente que possui a palavra, entendemos a geniosidade de nossos grandes mestres que marcaram a literatura de todos os tempos.

Por meio do verbo industrializou e do substantivo exaustão, Carlos Drummond faz um jogo aliando o real com o transcendental, ou seja, a Revolução Industrial trouxe uma alavancada no campo econômico mundial, mas em contrapartida, a “esperança” tornou-se cada vez mais longínqua, em razão da disputa pelo poder.

Tal exaustão, denotativamente falando, refere-se ao grande crescimento das indústrias e da tecnologia, como, por exemplo, a substituição da máquina a vapor. Entretanto, para o “eu” lírico, significava o verdadeiro espírito exaustivo, desesperançoso no qual a sociedade se encontrava naquela época.

Conhecendo um pouco mais sobre o referido escritor, o mesmo nasceu em Itabira do Mato Dentro, estado de Minas Gerais. Cursou o primário, ginásio e colegial na cidade natal.

Em 1924, o poeta escreveu uma carta a Manuel Bandeira confessando sua admiração pelo mesmo, e, neste mesmo ano, com um grupo de intelectuais mineiros, recebeu os modernistas de São Paulo e Rio de janeiro: Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e o francês Blaise Cendras.

Foram 56 anos de atividade poética, dentre as quais podemos destacar: na poesia: Lição de coisas, Brejo das Almas, A falta que Ama, entre outras; prosa: Contos de Aprendiz, Cadeira de Balanço, Os Dias Lindos, etc., além de obras infantis.

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Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte
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