Charles Bukowski

“A escrita de Charles Bukowski desconhece o que é o tradicionalismo. Fiel à realidade, sem enfeites, sua obra conta um pouco sobre a vida boêmia do autor.”

Romancista, contista, poeta e com algumas participações no universo do cinema, Charles Bukowski nasceu em 1920, em Andernach, Alemanha, mas mudou-se para Los Angeles com os pais ainda quando criança. Iniciou o curso de jornalismo em 1939 e logo começou a escrever. Em virtude do conteúdo de suas poesias e contos, o pai de Bukowski expulsou-o de casa. Pulando de emprego em emprego, bebia em excesso e escrevia enlouquecidamente. Sua escrita, a responsável por ter sido colocado para fora de casa, foi marcada por três características: teor autobiográfico, a simplicidade e o ambiente marginal onde eram vividas as suas histórias.

Temas e personagens marginais, como sexo, alcoolismo, ressacas, jogatinas, eram abundantes em suas obras. Tais aspectos não apareciam em formas tradicionais do verso. De estilo livre, coloquial, sem preocupações estruturais, o autor representava o seu cotidiano em sua escrita, e tradição nunca foi o forte de Bukowski. Antissocial e obsceno, Charles teve uma vida regada a empregos precários, bebedeiras e mulheres.
Mesmo nessa caoticidade cotidiana, ao longo de sua vida, publicou 45 livros de poesia e prosa.

Confira alguns títulos:

- Crônica de um amor louco. Porto Alegre: L&PM Editores, 1984

- Notas de um velho safado. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

- Fabulário Geral do Delírio Cotidiano. Porto Alegre: L&PM Editores, 1986.

- Delírios Cotidianos. Porto Alegre: L&PM Editores, 1991 (quadrinhos).

- A mulher mais linda da cidade. Porto Alegre: L&PM Editores, 1997. (coletânea)

- O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. Porto Alegre: L&PM Editores, 1999.

- Hino da Tormenta. Florianópolis: Spectro, 2003.

- Tempo de voo para lugar algum. Florianópolis: Spectro, 2004.

- Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.

- Vida desalmada. Florianópolis: Spectro, 2006.

- O Amor é um Cão dos Diabos. Porto Alegre: L&PM Editores, 2007.

- Ao Sul de Lugar Nenhum - Histórias da Vida Subterrânea. Porto Alegre: L&PM Editores, 2008.

- Pedaços de um caderno manchado de vinho. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010

- Amor é tudo que nós dissemos que não era. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012

- As Pessoas Parecem Flores Finalmente.Porto Alegre: L&PM Editores, 2015

- Cartas na Rua. São Paulo: L&PM Editores, 2011 (edição original 1971)

- Factotum. São Paulo: L&PM Editores, 2007 (ed. original 1975)

- Mulheres. São Paulo: L&PM Editores, 2011 (ed. original 1978)

- Misto Quente. &PM Editores, 2005 (ed. original 1982)

- Hollywood. re: L&PM Editores, 1990. (ed. original 1989)

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- Pulp. Porto Alegre: L&PM Editores, 1995. (ed. Original 1995)

→ Alguns destaques de Bukowski:

Bukowski deu visibilidade ao submundo, aos esquecidos. Os heróis de suas obras eram aqueles que venciam lutas de bar, aqueles que passavam dias sem comer, aqueles que dormiam na praça e na sarjeta. Assim como a vida do autor, o enredo de seus personagens começa e tem fim em Los Angeles, lugar que ele adotou como cidade natal pela paixão à vida boêmia. Infelizmente, em 1994, não conseguiu esquivar-se da leucemia. Morreu aos 73 anos de idade, pouco depois de finalizar a obra Pulp.

Confira alguns poemas de Bukowski que, assim como ele, são como são, sem enfeites.

Pássaro azul
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?

Animação baseada no poema "O pássaro azul" de Charles Bukowski:

Já morreu
sempre quis transar com
henry miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de céline?
perguntei.
queria transar com ele também.

já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe ives.
era tudo que me restava
naquela noite.

C
onfissão
esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo talvez
sacudi-lo de novo:
hank!
e hank não vai responder
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto
eu quero que ela
saiba
que dormir todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora ser ditas:
eu te
amo.

Publicado por: Mariana do Carmo Pacheco
Capa do livro Crônica de um amor louco, Editora L&PM Pocket
Capa do livro Crônica de um amor louco, Editora L&PM Pocket

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