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Gonçalves Dias - O poeta ufanista

Antes de iniciarmos nossos conhecimentos sobre o referido autor, é importante relembrarmos que ele pertenceu ao período do Romantismo, que como toda estética literária pautava-se em bases ideológicas oriundas do contexto político, cultural e social da época vigente.

Em se tratando do “contexto”, o país acabava de conquistar sua independência política, até então colônia portuguesa. Entretanto, a independência política não acarretou maiores transformações na estrutura socioeconômica do Brasil, pois os latifundiários eram os grandes senhores da economia, que se manteve essencialmente agrária, fazendo com que a escravidão permanecesse intocada.

Em virtude disso, os escritores queriam definir o rumo cultural do país, baseando em uma identidade nacional, fazendo com que fossem valorizados elementos nativos do Brasil intocados pela máquina colonizadora.

E como representante principal deste movimento, destaca-se Antônio Gonçalves Dias. Nascido no Maranhão em 1823, orgulhava-se de suas três raças, que formaram a etnia brasileira: era filho de um comerciante português branco e de uma cafuza (mestiça de negro e índio).

Adolescente, seguiu para Portugal, onde concluiu os estudos secundários e formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

Gonçalves Dias destacou-se na poesia lírico-amorosa, indianista e nacionalista. A temática principal de seus poemas era a valorização das maravilhas da natureza pátria, na qual o índio ocupou seu lugar de destaque, tendo como influência as ideias de Rousseau, com o mito do “Bom Selvagem”.

Dentre a sua produção indianista destaca-se Tabira, Marabá, O canto do Piaga, Canto do Guerreiro, Os Timbiras e I-Juca Pirama.

Vejamos a seguir alguns fragmentos do poema épico:

I-Juca Pirama
I
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos — cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
(...)
Gonçalves Dias. Poesia completa e prosa.


O título tem como significância - “o que há de ser morto” e o poema nos apresenta a história do último descendente da tribo Tupi, feito prisioneiro pelos Valentes Timbiras, cujo nome retrata a idealização do índio e a exaltação da natureza.

Na lírica, o poeta cultivou temas filosóficos, como o sentido heroico da existência no enfrentamento e superação constantes de obstáculos e frustrações, bem como do pessimismo diante dos rumos da vida, contido em uma tristeza dignificada pela arte. Observemos outros fragmentos do poema intitulado:

Ainda uma vez — Adeus

I
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II

Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
(...)


E na poesia nacionalista cita-se aquela que o consagrou um mártir da Literatura Brasileira, a qual retrata o verdadeiro sentimentalismo ufanista permeado por um lirismo incomparável:

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores. (...)

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