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Graciliano Ramos - o prosador “mestre” do regionalismo

Antes de iniciarmos os nossos conhecimentos sobre este célebre escritor, é essencial que conheçamos um pouco mais sobre a segunda geração modernista.

A mesma iniciou-se em 1930 e estendeu-se até 1945. O momento histórico era de total conflito em decorrência da I Primeira Guerra Mundial e consonância com a segunda.

Aqui no Brasil, as divergências políticas eram acirradas, pois em 1929 o presidente Washington Luís indicou como seu sucessor o então governador de São Paulo, Júlio Prestes. Frente à oposição estava Getúlio Vargas, da Aliança Liberal.

Como houve a vitória de Júlio Prestes, a Aliança Liberal criou uma ala dissidente formada por famílias tradicionais unindo-se às forças tenentistas. Diante deste conflito, o insucesso da Aliança foi inegável, momento este em que Getúlio Vargas assumiu o poder.

A literatura deste período refletiu todas essas conturbações e apoiou-se na temática voltada mais para o homem perante sua condição social, sobretudo ressaltando a miséria, a seca e a luta pela sobrevivência aliada ao descaso dos políticos, dando enfoque principal à região nordestina.

E falando sobre essa celebridade, Graciliano Ramos nasceu no município de Quebrangulo, Alagoas. Em 1905 mudou-se para Maceió, onde ficou por apenas um ano e estudou no tradicional Colégio Quinze de Março. De volta à sua cidade, fez o segundo grau, mas não cursou faculdade. Em 1914 foi ao Rio de Janeiro e intensificou suas atividades jornalísticas.

Em 1945 já era tido como principal romancista brasileiro, visto por muitos como o sucessor de Machado de Assis. Dentre suas obras destacam-se: São Bernardo, Vidas Secas, Caetés, Angústia e Memórias do Cárcere.

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O romance Vidas Secas é narrado em terceira pessoa, o qual Graciliano Ramos explora a temática da seca no Nordeste. Composto pelos personagens Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorra Baleia.

O escritor, desfrutando de sua genialidade artística, cria todo um cenário “ornamentado” pela aridez do sertão nordestino no qual seus personagens revelam a questão do homem alienado aos problemas sociais, incapaz de garantir sua própria sobrevivência.

Assim, ele delineia os traços físicos e psicológicos dos mesmos, os quais são revelados por um comportamento onde até as falas são monossilábicas, justamente para enfatizar a questão da brevidade deste sobreviver caótico.

Como sabemos, a arte literária camufla, por meio da linguagem, toda uma ideologia, seja ela social, histórica ou cultural. Deste modo, se formos “destinar” o discurso presente na obra, chegamos à conclusão de que há uma crítica muito sutil, embora pertinente, a começar pelos próprios nomes dos protagonistas.

Sinhá Vitória, na qual a vitória propriamente dita estaria muito aquém de ser alcançada, como também o emprego do substantivo “sinhá” denota um estado de servilismo total, configurando a subordinação diante dos “mais fortes” frente à desigualdade social.

A cachorra Baleia, uma vez que a mesma era a própria desfiguração do ser, ou seja, magérrima, pelos caindo por todo o corpo, num estado de palidez total.

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