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Gregório Duvivier: humorista, roteirista e escritor

Gregório Duvivier é, além de humorista e roteirista do Porta dos Fundos, escritor. Suas obras foram elogiadas por célebres autores brasileiros.

Gregório Byington Duvivier é carioca e nasceu em 11 de abril de 1986. O trabalho que colocou Duvivier na boca do povo foi com os esquetes da série Porta dos Fundos. Fundador e roteirista da série, em parceria com o também humorista Fábio Porchat, Gregório é um dos responsáveis pelos incríveis dois bilhões de visualizações do canal no Youtube.

Mas essa ousadia destemerosa em relação às câmeras não foi algo natural para ele. Os pais, Edgar Duvivier, músico e artista plástico, e Olivia Byington, cantora, na tentativa de quebrar um pouco da timidez de Gregório, levaram o menino, aos nove anos de idade, para a escola de teatro Tablado, no Rio de Janeiro.

Parece que a iniciativa deles foi apenas o pontapé inicial para a brilhantura do garoto. Aos 17 anos, antes de entrar para a faculdade de Letras na PUC-Rio, já formava um grupo de teatro com Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga.

E o rapaz não ficou só com o teatro. Em 2008, Gregório Duvivier lançou seu primeiro livro A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, pela Editora 7Letras. Se você pensa que, por ser a primeira, essa obra não foi elogiada, está bem enganado(a). Nada mais, nada menos que Ferreira Gullar e Millôr Fernandes, grandes escritores brasileiros, elogiaram, e muito, a escrita de Duvivier.

'Um livro que estou lendo com prazer. Gregório evita o dó de peito e brinca inteligentemente com a emoção. Parabéns."
Ferreira Gullar¹

unha e carne

eram como unha e carne os dois
e como unha e carne partiram-se
em metades injuntáveis ambos
sob o alicate inox e ela
repousa no ladrilho, âmbar:
lua minguante sobre o bidê.

Em 2013, lançou o livro Ligue os Pontos: Poemas de amor de big bang. Essa obra, segundo alguns críticos e jornalistas, merece destaque na poesia brasileira.

se o leite desnatado por acaso caísse

da sua mão no chão da seção de laticínios

bastava para eu enxugar o piso encharcado

de batavo e perguntar seu nome e fazer

alguma piada envolvendo a expressão chorar

pelo leite derramado e nós dois teríamos

uma longa-vida eu e você mas você já está

no setor de limpeza e eu penso que se espirrasse

água sanitária no seu vestido eu poderia

dizer sou advogado e isso vale um processo

ou se você tivesse dúvidas quanto à validade

de um queijo minas eu sei tudo sobre queijo

minas ou à madureza de um abacaxi basta

puxar uma folha da coroa mas agora

é tarde você já está no caixa passando produtos

que apitam como um eletrocardiograma

você é a última dos moicanos no pacote

de jujubas a cereja do bolo no topo

do milk-shake de creme de la crème

brûlée aquela música do cole porter

o topo do top de todos os pokémons

você é aquele que me diz calma tá tudo

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bem agora você é o meu beatle preferido

tem dias em que é o george e dias em que

é o paul e dias em que é o chico buarque

e dias em que é aquele feriado que cai

no meio da semana e a gente enforca

pros dois lados imagine um réveillon fora

de época é você uma terça-feira de carnaval

em plena sexta-feira da paixão e minha

paixão é um sábado que não termina nunca.

As boas-novas de 2013, para Duviver, ainda não tinham chegado ao fim. Em julho desse ano, o autor começou a escrever, toda segunda-feira, para a Folha de São Paulo. Sua primeira crônica tem como título Mas antes, a qual, como disse o próprio autor, “é meio triste”.

Já em 2014, Gregório lançou Put Some Farofa, um livro que reúne textos inéditos, esquetes do Porta dos Fundos e crônicas já publicadas na Folha de São Paulo, o que revela e comprova a pluralidade do autor. Confira trechos da crônica que deu origem ao título do livro:

Pardon Anything

“Hello, Gringo! Welcome to Brazil. Não repara a bagunça. Don't repair the mess. In Brazil we give two beijinhos. Em São Paulo, just one beijinho. If you are em Minas, it's three beijinhos, pra casar. It's a tradition. If you don't give three kisses, you don't marry in Minas. In the other places of Brazil, you can give how much beijinhos you want. In Rio, the beijinho is in the shoulder.
The house is yours. Fica à vontade. [...]

Try this moqueca. Put some farofa. Try this açaí. Put some farofa. Try this chicken we call à passarinho because it looks like a little bird. Now put some farofa. Now put some ovo inside the farofa. Mix with some banana. Delicious. You don't have farofa in your country? You know nothing, you innocent. […]

Volte sempre. Come back always! Fica lá em casa. We are family now. You like that? You can keep it. It's your. Faço questão. I make question. Go with god and desculpa qualquer coisa. Pardon anything.”

Em 2015, o autor, novamente, surpreendeu a todos: leitores, críticos e outros autores. Após se firmar como poeta e cronista, Duvivier apresentou desenhos inéditos de nanquim e aquarela. Percatempos – Tudo o que faço quando não sei o que fazer é uma obra que nos diverte com a irreverência do ator e nos encanta com o lirismo já familiar aos seus leitores.

Trecho da obra Percatempos – Tudo o que eu faço quando não sei o que fazer, publicação pela Editora Companhia das Letras
Trecho da obra Percatempos – Tudo o que eu faço quando não sei o que fazer, publicação pela Editora Companhia das Letras

¹Resenha retirada do site da Editora 7Letras.

Ele é mais conhecido como humorista do Porta dos Fundos, mas seus trabalhos de sucesso não param por aí, pois Gregório Duvivier é também poeta.
Ele é mais conhecido como humorista do Porta dos Fundos, mas seus trabalhos de sucesso não param por aí, pois Gregório Duvivier é também poeta.
Publicado por: Mariana do Carmo Pacheco

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