Lima Barreto

Escritor que fez da Literatura um instrumento de denúncia política e social, Lima Barreto é considerado pela crítica e público um dos grandes escritores brasileiros.

"Queimei meus navios; deixei tudo, tudo, por essas coisas de letras."

A frase acima, de autoria de Lima Barreto, mostra a importância da Literatura na vida do escritor, que apenas postumamente teve sua genialidade reconhecida. Um dos autores mais cobrados nos diversos vestibulares pelo Brasil, nome importante do período Pré-Modernista e indispensável para o entendimento da formação de uma Literatura mais politicamente engajada, o Mundo Educação traz para você um pouco da vida e obra de Lima Barreto.

A fina ironia e a preocupação com o quadro político e social de sua época são características marcantes na obra de Lima Barreto. Ele, um mulato que nasceu em uma família de origem humilde, sentiu na pele a discriminação racial e a desigualdade social, temas recorrentes em seus diversos textos. A mãe e o pai, uma professora primária e um tipógrafo, gente de bom nível cultural, escolheram como padrinho para o filho o Visconde de Ouro Preto, que ajudou o afilhado a permanecer nos estudos e a ingressar na faculdade de Engenharia, algo pouco provável para alguém de seu nível social. Apesar de seu esforço, Lima Barreto precisou abandonar o curso para cuidar da família, pois depois da enfermidade de seu pai, viu-se na obrigação de prover madrasta e irmãos – a mãe falecera quando ele contava com sete anos.

Ingressou no serviço burocrático como funcionário na Secretaria de Guerra, função que conciliou com a de cronista de costumes do Rio de Janeiro, colaborando para diversas revistas literárias, como “Careta”, “Fon-Fon” e “O Malho”. Em 1907, seu primeiro romance, “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, foi parcialmente publicado na Revista Floreal, fundada pelo próprio Lima Barreto. Mas foi em 1911 que o escritor publicou aquele que seria conhecido como seu melhor e mais famoso romance, o livro Triste fim de Policarpo Quaresma, que narra a história de um aposentado ufanista, cujos ideais lhe custam a própria vida. Nosso Dom Quixote brasileiro, criação máxima de Lima Barreto, ganhou até mesmo uma adaptação para o cinema no ano de 1998, consagrando e popularizando, quase um século depois, o personagem caricato e carismático que defendia a verdadeira cultura brasileira.

"Não se sabia onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele algum regionalismo; Quaresma era antes de tudo brasileiro."

(Trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma)

Escritor que teve o valor de sua obra reconhecido anos após a sua morte, Lima Barreto deixou um importante legado para a Literatura nacional
Escritor que teve o valor de sua obra reconhecido anos após a sua morte, Lima Barreto deixou um importante legado para a Literatura nacional

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Foi acusado, à sua época, de escritor militante e panfletário, pois escrevia sobre as injustiças sociais e os preconceitos de raça (de que ele próprio era vítima), coisa que poucos escritores, contemporâneos seus, arriscaram-se a fazer. O alcoolismo, seu pior inimigo, foi responsável pelos distúrbios mentais que o acometiam e que o levaram a duas internações na Ala Pinel do Hospício Nacional, a primeira no ano de 1914 — mesmo ano em que foi aposentado do serviço público por um decreto presidencial — e no ano de 1919. Em sua segunda internação, escreveu o livro, que seria postumamente publicado, Cemitério dos Vivos, título que é uma clara alusão à vida que levava no sanatório e ao tratamento dispensado aos doentes. Nesse mesmo ano publicou a sátira Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, inspirado em uma famosa personalidade carioca, o Barão do Rio Branco.

A Academia Brasileira de Letras, fundada pelo também escritor Machado de Assis, foi um sonho para Lima Barreto. Candidatou-se por duas vezes a uma vaga na ABL e, na terceira vez, prevendo que a empreitada não obteria sucesso, desistiu antes mesmo das eleições. Recebeu uma menção honrosa, mas não chegou a ocupar nenhuma cadeira naquela que era, à época, uma instituição elitista e pouco envolvida com as demandas sociais. A saúde deteriorada causou no escritor um colapso cardíaco que o vitimou no dia 1º de novembro de 1922, aos 41 anos. Deixou uma obra de dezessete volumes, sendo que grande parte de seus escritos, entre eles romances, crônicas, contos, memórias e críticas literárias, foram publicados após a sua morte.

Obras de Lima Barreto:

1906 – O Subterrâneo do Morro do Castelo

1909 – Recordações do Escrivão Isaías Caminha

1911 – O homem que sabia javanês

1912 – As aventuras do Doutor Bogóloff

1915 – Triste fim de Policarpo Quaresma

1915 – Numa e Ninfa

1919 – Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá

1920 – Histórias e Sonhos

1922 – Os Bruzundangas

1923 – Bagatelas

1948 – Clara dos Anjos (livro póstumo)

1953 – Diário Íntimo

1953 – Feiras e Mafuás

1953 – Marginália

1956 – Cemitério dos Vivos (póstumo e inacabado)

1956 – Coisas do Reino de Jambom

1956 – Impressões de Leitura

1956 – Vida Urbana

1957 – Correspondência, Ativa e passiva

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.” Lima Barreto
“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.” Lima Barreto
Publicado por: Luana Castro Alves Perez
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