O Simbolismo

O Simbolismo
Cruz e Souza - o introdutor do simbolismo no Brasil

Como toda estética literária, o Simbolismo também surgiu sob forte influência de correntes ideológicas e do contexto histórico, cultural e social da época em voga.

E por assim dizer, o final do século XIX representou uma sociedade marcada por um sentimento de total inquietação proveniente das descobertas científicas tanto difundidas pela era do Realismo, que, como toda mudança, desencadeou um processo de indefinições quanto a valores e convicções inerentes ao ser humano.

Em consonância com esta problemática, destacava a enorme crise social desencadeada pela disputa econômica entre as grandes potências mundiais com o advento da Revolução Industrial, que obteve como fator resultante, as duas grandes guerras mundiais.

Diante disso, o ser humano constituia uma visão patética e dramática perante a sociedade que o cercava, sentindo-se impotente e enclausurado em meio a tantas tensões e contradições.

Refletindo, portanto, na literatura e nas artes de uma forma geral, que com uma força tamanha e brutal, os artistas retomaram o sentimentalismo subjetivo tanto cultuado pelos românticos, porém partindo para uma visão transcendental influenciada nas ideias de Sigmund Freud: a descoberta pelo “eu” nas camadas mais profundas que habita o ser: o inconsciente e o subconsciente.

Diante de uma visão extremamente pessimista do mundo, os simbolistas procuravam no mais profundo “eu” uma resposta para todas estas inquietações procurando solucionar todo este sentimento de angústia. Mas qual era a forma de expressá-lo?

Através de imagens simbólicas, as quais eram traduzidas pelas seguintes características: 

-  Conhecimento ilógico e intuitivo da realidade - Para encarar o mundo real, os artistas apostavam numa visão intuitiva e obscura da realidade, explorando principalmente o sistema sensorial (visão, tato, olfato, paladar e audição). 

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-  Predomínio do subjetivismo, pois mediante o “contexto”, o resultado não poderia ser outro, senão uma visão individualista do mundo que os cercava. 

-  Emprego da sinestesia - Para expressar as imagens e sensações, o artista promovia uma inusitada combinação, na qual se estabelecia uma combinação simultânea entre os diferentes órgãos do sentido. 

-  Concepção mística do mundo - Em consequência da busca pelo mundo “ideal”, difundiam bastante uma fé cristã mais voltada para o mistério e para o misticismo. 

-  Sentimento de alienação frente à sociedade - Para os simbolistas, o que importava era a busca incessante do próprio “eu”. Funcionando como uma espécie de fuga diante da realidade, sendo que uma visão objetiva da mesma cedia lugar para a análise introspectiva das impressões causadas no artista, diante desta realidade.

Analisaremos a seguir um poema de Cruz e Souza:

SINFONIAS DO OCASO

Musselinosas como brumas diurnas
descem do ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas,
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.
Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúnios mórbidos vaporam ...
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins, violinos ...


Podemos perceber que o autor explora bastante o recurso da sinestesia dando enfoque principal ao olfato ao citar: “Os céus resplendem de sidéreas rosas”, e à audição em: “E como que no Azul plangem e choram cítaras, harpas, bandolins, violinos...”.

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