Parnasianismo

O Parnasianismo é uma escola literária desenvolvida na década de 80 do século XIX, é resultado da ambigüidade do momento histórico que marcou a passagem do século IX para o século XX.
Nesse período as grandes potências brigavam para conquistar os mercados consumidores e aqueles que forneciam matéria-prima e foi nessa época que se desenvolveu a política do neocolonialismo e do imperialismo. Como resultado de tais processos foi possível identificar duas situações diferentes:
O progresso das indústrias e o capitalismo em expansão proporcionaram um ambiente eufórico, uma sensação de bem-estar. Tais situações facilitaram o aumento do consumo e a modernização da urbanização. Contudo, o aumento do consumo criou grupos de excluídos, o movimento operário se organizou e greves surgiram, proporcionando um ambiente desagradável, sentimentos como insegurança e pessimismo eram sentidos.

As primeiras manifestações parnasianas surgiram em Paris em antologias denominadas de Parnasse contemporain (“Parnaso contemporâneo).
O Parnasianismo surgiu em oposição ao Romantismo, os poetas parnasianos tinham como objetivo instituir novamente a poesia clássica, propondo uma poesia objetiva, que apresentasse elevado nível vocabular, além de resgatar o respeito às regras de versificação.
O poeta parnasiano valorizava a estética e buscava a perfeição formal, para isso utilizava recursos como rimas, preferência às estruturas fixas, metrificação e descritivismo.

No Brasil, a primeira publicação parnasiana é a obra Fanfarras (1881), de Teófilo Dias. Entretanto, foi Alberto de Oliveira, Olavo Bilac, Francisca Júlia, Raimundo Correia e Vicente de Carvalho que implantaram o movimento no Brasil. Os temas abordados eram universais: o amor, o tempo, a natureza e a poesia. Contudo, é possível notar também a presença da mitologia Greco-latina.
Ao distanciar-se dos temas ligados à realidade, os poetas parnasianos criavam a “arte pela arte”.
O texto que segue é um dos mais conhecidos poemas de Olavo Bilac:

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Nel mezzo Del camin...
                               Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

(Poesias, Sarças de fogo, 1888.)

Olavo Bilac à direita, Raimundo Correia no centro e Alberto de Oliveira à esquerda, juntos formavam a “tríade parnasiana”.
Olavo Bilac à direita, Raimundo Correia no centro e Alberto de Oliveira à esquerda, juntos formavam a “tríade parnasiana”.
Publicado por: Sabrina Vilarinho
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