Poesia, poema e soneto

Poesia, poema e soneto são elementos pertencentes ao gênero lírico, cada qual com suas especificidades.

Poesia, poema e soneto são elementos distintos, mas todos comuns ao gênero lírico
Poesia, poema e soneto são elementos distintos, mas todos comuns ao gênero lírico

A poesia, o poema e o soneto são elementos pertencentes ao gênero lírico: estão abarcados no gênero lírico textos cuja linguagem seja marcada pela subjetividade, responsável por revelar pensamentos, sentimentos, estados de alma de um eu lírico — entidade fictícia que não deve ser confundida com o eu biográfico.

Para quem gosta de literatura, sobretudo de poesia, é importante conhecer as diferenças entre a poesia, o poema e o soneto. Vamos lá?

Poesia: nem sempre está relacionada apenas com o poema, a poesia é um elemento maior que a estrutura textual. Ela pode estar presente nas mais diversas manifestações artísticas, seja na pintura, na escultura, na música, na fotografia e até mesmo em pequenas situações do cotidiano. Sendo assim, é um equívoco denominar o gênero literário como “poesia”, até porque a poesia não é exclusividade da literatura, mas sim uma definição mais ampla que contempla outras formas de expressão.

The sower (O semeador), Vincent Van Gogh, 1888. Em exposição no Museu Van Gogh, em Amsterdã, Holanda
The sower
(O semeador), Vincent Van Gogh, 1888. Em exposição no Museu Van Gogh, em Amsterdã, Holanda

O poema: Elemento pertencente ao gênero lírico, o poema é um gênero textual que apresenta características bem peculiares que são responsáveis por sua identificação. Entre essas características, estão os versos, ou seja, as linhas que constituem uma obra desse gênero, a musicalidade, a repetição e o emprego de metáforas que garantem maior subjetividade ao texto.

Ouvir estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

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Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac

A poesia, o poema e o soneto são comuns ao gênero lírico, contudo, apresentam importantes diferenças entre si
A poesia, o poema e o soneto são comuns ao gênero lírico, contudo, apresentam importantes diferenças entre si

O soneto: é um tipo de poema que se apresenta sob uma estrutura fixa: quatro estrofes, sendo dois quartetos (estrofes compostas por quatro versos) e dois tercetos (estrofes compostas por três versos). Todos os versos possuem dez sílabas poéticas, chamadas de decassílabos. Com origem na Itália, o soneto foi documentado pela primeira vez na obra de Giacomo da Lentini ainda na primeira metade do século III, mas permanece atual, por isso é considerado como um dos moldes literários mais longevos da história da literatura universal. No Brasil, nosso maior sonetista foi Vinícius de Moraes, responsável por obras-primas como o Soneto do Amor Total, um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira.

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

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