Sousândrade

Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade) foi um escritor brasileiro da terceira geração romântica, engajado nas causas sociais da América latina e autor de Guesa errante (1888).

Joaquim de Sousa Andrade nasceu no dia 9 de julho de 1833, no estado do Maranhão. Formou-se em Letras e em Engenharia de Minas na universidade de Sorbonne, em Paris. Antes de retornar ao Brasil, viajou longamente pela Europa, América Latina e, durante algum tempo, viveu em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Essa experiência proporcionou-lhe a oportunidade de conhecer a fundo o sistema econômico capitalista, o qual considerou bastante distante da realidade vivida no Brasil. Embora fosse filho de fazendeiros latifundiários, Sousândrade, como preferia ser chamado, criticava a aristocracia rural e apoiava as ideias republicanas e abolicionistas em seus poemas.

Ao contrário dos escritores condoreiros da sua época, como eram chamados os poetas da terceira geração romântica, Sousândrade preocupou-se em definir uma identidade não apenas do povo brasileiro, mas, sim, de todas as Américas. Em muitos de seus poemas, o autor retrata a vida e a cultura de povos nativos da Bolívia e do Peru e utiliza imagens da natureza para simbolizar a exuberância da natureza americana, sobretudo das áreas ainda intocadas pelos colonizadores.

Outro tema bastante recorrente em seus poemas são as fortes industrializações europeias e norte-americanas e a inversão de valor advinda da postura capitalista. O poema Guesa errante (1888) narra a lenda de um adolescente que foge para Nova Iorque para não ser sacrificado como oferenda a deuses e lá passa a conviver com capitalistas.

Leia o poema:

Guesa Errante - Canto I

“Eia, imaginação divina!

Os Andes

Vulcânicos elevam cumes calvos,

Circundados de gelos, mudos, alvos,

Nuvens flutuando – que espetac’los grandes!

Lá onde o ponto do condor negreja,

Cintilando no espaço como brilhos

D’olhos, e cai a prumo sobre os filhos

Do lhama descuidado; onde deserto,

O azul sertão, formoso e deslumbrante,

Arde do sol o incêndio, delirante

Coração vivo em céu profundo aberto!

“Nos áureos tempos, nos jardins da América

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Infante adoração dobrando a crença

Ante o belo sinal, nuvem ibérica

Em sua noite a envolveu ruidosa e densa.

“Cândidos Incas! Quando já campeiam

Os heróis vencedores do inocente

Índio nu; quando os templos s’incendeiam,

Já sem virgens, sem ouro reluzente,

“Sem as sombras dos reis filhos de Manco,

Viu-se… (que tinham feito? e pouco havia

A Fazer-se…) num leito puro e branco

A corrupção, que os braços estendia!

“E da existência meiga, afortunada,

O róseo fio nesse albor ameno

Foi destruído. Como ensaguentada

A terra fez sorrir ao céu sereno!

“Foi tal a maldição dos que caídos

Morderam dessa mãe querida o seio,

A contrair-se aos beijos, denegridos,

O desespero se imprimi-los veio, -

“Que ressentiu-se verdejante e válido,

O floripôndio em flor; e quando o vento

Mugindo estorce-o doloroso, pálido,

Gemidos se ouvem no amplo firmamento!

“E o sol, que resplandece na montanha

As noivas não encontra, não se abraçam

No puro amor; e os fanfarrões d’Espanha,

Em sangue edêneo os pés lavando, passam.”

A visão revolucionária de Sousândrade tornou-o um homem à frente do seu tempo, pois, diferentemente de seus contemporâneos românticos que estavam engajados nas causas abolicionistas nacionais, a poesia de Sousândrade teceu duras críticas à escolha do dinheiro como sendo um novo “deus”. Seus versos trazem palavras indígenas, inglesa e neologismos.

Sousândrade foi o idealizador e criador da bandeira do estado do Maranhão
Sousândrade foi o idealizador e criador da bandeira do estado do Maranhão

Sua representatividade artística rendeu-lhe a missão de idealizar e criar a bandeira do estado do Maranhão, a qual foi inspirada na bandeira dos Estados Unidos. As listras nas cores vermelha, branca e preta simbolizam a miscigenação do povo brasileiro.

Algumas obras de Sousândrade:

  • Harpas Selvagens (1857)

  • Guesa Errante (1858-1888)

  • Harpa de Ouro (1888/1889)

  • Novo Éden (1893)

Sousândrade foi um escritor brasileiro da terceira geração romântica e autor de Guesa errante, publicado em 1888
Sousândrade foi um escritor brasileiro da terceira geração romântica e autor de Guesa errante, publicado em 1888
Publicado por: Luciana Kuchenbecker Araújo
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